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A saída da Ford e o derretimento da indústriaFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2021-01-13 05:35
Primeira montadora a se instalar no Brasil, em 1919, a Ford anunciou que vai fechar suas fábricas de produção aqui – a de Camaçari (BA) e a de Taubaté (SP), imediatamente; e a de Horizonte (CE), ainda em 2021. Reflexo da crise de um setor que amarga quedas desde meados da década passada e que se vê diante de duas importantes transformações: na matriz energética e na relação do consumidor com os carros. "A juventude não tem mais a ambição de comprar o carro e há um movimento de trocar os veículos a gasolina por elétricos”, mapeia o economista José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e sócio da MB Associados. Convidado de Renata Lo Prete neste episódio, Mendonça de Barros explica também por que as gigantes automobilísticas têm tanta influência nas decisões do governo federal e as consequências do emagrecimento do parque industrial brasileiro. “É indispensável à indústria do Brasil aumentar seu investimento em tecnologia e melhorar sua produtividade”, afirma. Participa também o repórter de economia do G1 Luiz Gerbelli. Ele relembra como este é mais um capítulo do processo de reestruturação da empresa, que fechou a tradicional fábrica do ABC em 2019. "Uma filial que precisa ser socorrida com frequência. A operação ficou inviável." Gerbelli explica ainda como a situação econômica contribui para a fuga. "O Brasil não tem mais força, pelas questões econômicas e pelas sucessivas crises, para fazer esse mercado crescer e absorver tantos veículos."
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Trump banido das redesFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2021-01-12 05:22
Na esteira de um inédito ato de insurreição estimulado pelo presidente dos Estados Unidos, outro movimento sem precedentes: sua remoção do Facebook e do Twitter. Quase ao mesmo tempo, Apple, Google e Amazon retiraram de suas lojas virtuais o aplicativo que mantinha ativa a rede social Parler, usada por apoiadores do presidente para organizar a invasão ao Congresso e pregar, entre outros crimes, o assassinato do vice Mike Pence. Tudo isso enquanto Washington se prepara, sob pesado esquema de segurança, para a posse de Joe Biden, no próximo dia 20. O expurgo digital do homem mais poderoso do mundo, que apenas no Twitter comandava 88 milhões de seguidores, suscita uma série de questões, que Renata Lo Prete discute neste episódio em entrevista com Pedro Doria, colunista do jornal O Globo e editor do Canal Meio. As gigantes de tecnologia passaram dos limites agora, praticando censura, ou demoraram a agir, tolerando, enquanto lucravam muito, quatro anos de seguidas incitações à violência e ilegalidades várias? “Estamos falando de um chefe de Estado, que ativamente usou como estratégia política bem mais do que mentir, mas criar uma realidade paralela", diz o jornalista. Se a conversa online exige marco regulatório, a quem cabe a arbitragem? “Se a gente pensa nas redes sociais como a praça pública, quem deve tomar a decisão sobre as regras é o povo, representado pelo Congresso”, afirma. Doria lembra ainda que a história não deve terminar no presidente americano, e vê o Brasil nesse roteiro: “Bolsonaro é quem mais imita Trump, é um caso-chave. Estamos no olho do furacão”.
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Covid: por que monitorar os viajantesFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2021-01-11 04:02
Num momento em que a pandemia se agrava em vários continentes, convém examinar os resultados obtidos por países que apostaram no controle de entrada, aliado a testagem e quarentena, como forma de erguer uma barreira de contenção do contágio. É o caso da Coreia do Sul, onde quem chega faz exame ainda no aeroporto e, na sequência, encara um rígido isolamento de 14 dias. “Um aplicativo no celular te monitora o tempo todo. Há estrangeiros que foram deportados por violar a quarentena”, conta Carlos Gorito, jornalista brasileiro que vive em Seul desde 2008. Fato é que, apesar de um rebote recente no número de casos, o país de 50 milhões de habitantes ostenta uma das mais baixas taxas de mortalidade por Covid-19. O episódio traz, além do depoimento de Carlos detalhando os protocolos sul-coreanos e seu impacto no cotidiano, entrevista de Renata Lo Prete com o médico Márcio Bittencourt, mestre em Saúde Pública que trabalha no Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP. Ele explica a função de cada uma das três fases de controle de fronteiras, destaca o uso da tecnologia para reduzir as transmissões e analisa a situação do Brasil: “Aqui, o maior problema é interno. Precisamos monitorar o fluxo entre cidades e entre Estados”, diz. E também do que jamais tivemos na pandemia: "Uma boa estratégia de comunicação, com mensagens uníssonas das autoridades”.
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EUA sob ataque de Trump, parte 2From 🇧🇷 O Assunto, published at 2021-01-08 05:29
O dia em que o presidente americano incitou uma turba a invadir o Congresso foi seguido por uma madrugada na qual deputados e senadores ratificaram a vitória de Joe Biden. Mas os eventos da quarta-feira em Washington continuam a reverberar. Desdobraram-se em baixas na Casa Branca, na suspensão de Trump do Facebook por tempo indeterminado e, principalmente, num movimento de parte do establishment para removê-lo do cargo antes do próximo dia 20, data da posse de Biden. Pressão suficiente para levar o presidente a divulgar, na noite desta quinta, um vídeo em que, pela primeira vez, fala em tom conformado sobre a iminente saída do poder. Tudo isso tem consequências que vão além do prazo de validade do atual governo - e muito além das fronteiras dos Estados Unidos. Para avaliá-las, Renata Lo Prete recebe neste episódio o cientista político Houssein Kalout, pesquisador da Universidade Harvard. “Trump rebaixou a estatura da democracia americana", diz ele. Embora enxergue pouca chance de impeachment ou outra saída antecipada prosperar a esta altura, Kalout acredita que os atos de insurreição e vandalismo não ficarão impunes. “Pessoas morreram. Alguém terá que responder por isso". Para ele, o Partido Republicano está "diante de um teste de fogo: ou se reinventa, ou afunda com Trump". Kalout explica ainda o que significa para o mundo a percepção de fragilidade da democracia americana. O que inclui o Brasil: “O roteiro para 2022 está dado".
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Congresso invadido, Trump fora de controleFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2021-01-07 07:00
Era para ser apenas um rito formal no processo de transição, mas virou um dia inédito na história dos EUA. Incitados pelo presidente Donald Trump, manifestantes invadiram o Capitólio, onde congressistas estavam reunidos para ratificar a vitória de Joe Biden no Colégio Eleitoral. Extremistas interromperam a cerimônia, parlamentares foram retirados às pressas e uma mulher morreu baleada. "O que estamos vendo aqui é um grande teatro", diz Daniel Wiedemann, coordenador do escritório da TV Globo em Nova York, em entrevista a Renata Lo Prete. Ele relembra a estratégia de Trump, como a eleição na Geórgia selou a derrota dos republicanos e o que esperar até dia 20 de janeiro, quando Biden toma posse. Participa também Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV em São Paulo. Stuenkel analisa como, mesmo derrotado, Trump continua sendo a figura mais popular do Partido Republicano e como fica a relação entre ele e seu vice, Mike Pence: "está instalada uma espécie de guerra civil no partido." Stuenkel esmiúça como a instabilidade política interna pode afetar a influência norte-americana no mundo: "Biden vai ter que gastar muito tempo e energia para pacificar." E conclui como a troca de poder nos EUA pode complicar a vida de populistas ao redor do mundo, entre eles do presidente Jair Bolsonaro.
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Manaus de volta ao inferno da CovidFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2021-01-06 04:49
“Não há macas, não há leitos, não há nada." Assim o repórter Alexandre Hisayasu, da Rede Amazônica, resume a situação. Em conversa com Renata Lo Prete, ele conta que, em hospitais sobrecarregados, até o espaço antes usado por funcionários para bater ponto agora abriga pacientes de maneira precária. Acompanhando a pandemia no Estado desde os primeiros casos, Hisayasu tem a sensação de assistir a uma reprise trágica: nove meses depois de Manaus apresentar ao Brasil o colapso produzido pelo novo coronavírus, está de volta a via crucis de ambulâncias que não têm onde deixar os doentes. Assim como a adaptação de cemitérios onde falta espaço para sepultar os mortos. Participa também do episódio o infectologista Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz, que até março de 2020 respondia pelo Departamento de Imunizações do Ministério da Saúde. Ele atribui a vulnerabilidade de Manaus, antes de tudo, à estrutura hospitalar do Amazonas, a pior do país em termos de leitos de UTI por 100 mil habitantes. Qualquer aumento no número de casos (e o atual é expressivo) leva o sistema ao limite. E frisa que nunca houve imunidade de rebanho por lá, ao contrário do que alguns chegaram a especular: "A imunidade coletiva depende das medidas preventivas". Croda é assertivo: "Vacina é a única forma segura de superar a pandemia".
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O estrago da versão mais contagiosa do coronaFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2021-01-05 04:49
A mutação B.1.1.7 do coronavírus já foi registrada em mais de 30 países, entre eles o Brasil. Primeiro a identificá-lo, o Reino Unido registra mais de 50 mil casos diários há uma semana. Para tentar conter o avanço da nova variante, o premiê Boris Johnson reagiu e decretou o terceiro lockdown no país - este, mais longo, pode durar até março. Para explicar a trajetória desta variação do vírus e suas particularidades, Renata Lo Prete entrevista a jornalista da TV Globo em Londres Natalie Reinoso e a imunologista Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina da USP e primeira cientista a sequenciar o genoma do coronavírus no Brasil. Natalie detalha as medidas de restrição no Reino Unido e os dados de contágio atualizados. Ester explica por que esta é a mutação que mais preocupa e sugere o que podemos fazer para frear sua disseminação: "Deveria ter um cuidado maior com as pessoas que estão chegando de fora do Brasil". Segundo ela para "diminuir o número de entradas" da nova variante por aqui. Ester fala que este é o momento de manter os cuidados para evitar a propagação: "Não tem outra saída até que a vacina esteja disponível para toda a população".
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A matemática da vacinaçãoFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2021-01-04 03:20
O biólogo Fernando Reinach descreve 2021 como a pista de uma corrida a ser disputada entre o novo coronavírus e a imunização, para ver quem chega antes às pessoas. Na largada, o primeiro está em clara vantagem. As posições se inverterão quando o mundo “vacinar mais do que o vírus contamina”, explica neste episódio Reinach, autor do livro “A Chegada do Novo Coronavírus no Brasil” e colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”. No caso brasileiro, ele calcula que seria necessário aplicar cerca de 500 mil doses por dia, ao longo dos 365 dias deste ano, “para a vida do vírus ficar muito difícil”. Desafio imenso, especialmente quando se leva em conta que, à diferença de cerca de 40 países, não começamos a vacinar nem temos data definida para fazê-lo. Na entrevista a Renata Lo Prete, Reinach diz que começar é necessário, mas que o mais importante a observar é quantas pessoas conseguiremos imunizar por dia e qual será a taxa de eficácia do produto usado -variável essencial na hora de estimar quantos brasileiros precisarão ser vacinados até que se chegue ao controle da doença.
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Revisitando Maria em IngazeiraFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-31 03:16
Neste final de ano, O Assunto resgata quatro de seus episódios mais marcantes, protagonizados por brasileiros que tiveram a vida duramente transformada pela pandemia. Da escassez de testes à sobrecarga dos hospitais, da falta de emprego ao luto sem despedida, suas histórias representam as grandes dificuldades do país no enfrentamento do novo coronavírus. Aqui você vai ouvi-los em dois momentos: o do relato original feito a Renata Lo Prete e agora. No quarto e último da série, a entrevistada é a agricultora pernambucana Maria Assunção Araújo, 40 anos, representante de um fenômeno social explicado na participação do doutor em demografia José Eustáquio Diniz Alves: a migração de retorno. Maria é uma entre muitos brasileiros que partiram em busca de oportunidades nos grandes centros do eixo Sul-Sudeste e, sob o efeito combinado de covid e crise econômica, terminaram por voltar à terra natal. Ouvida em 13 de julho, quando havia acabado de se instalar novamente em Ingazeira, Maria resumia assim sua experiência de um ano na cidade grande, com marido e filho pequeno: “São Paulo é bom pra passear. Mas São Paulo é uma ilusão". Cinco meses depois do retorno ao sertão, trabalho ainda é problema, mas dá-se um jeito: “Estamos estabelecidos, compramos uns animaizinhos, alguns deram cria, então a gente tá repondo o que vendeu”. E a mensagem para 2021 é de esperança: “Que seja um ano de paz e prosperidade pra todo mundo, que a pandemia se afaste e que volte a reinar a saúde”.
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2020 em frases e sonsFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-30 03:16
Covid-19, Sars-CoV-2, pandemia, lockdown, recessão, vacina: as palavras mais repetidas deste ano que ninguém vai esquecer remetem todas para a mesma história, que começou na China, perto da virada do ano anterior, espalhou-se literalmente por todo o mundo e entrará em 2021 ainda no centro do noticiário. Palavras que estão na dor das famílias, nos alertas da ciência, nas declarações das autoridades, nos resultados eleitorais, nos eventos cancelados, na vida em suspenso. E que alimentam este episódio especial de O Assunto, cápsula sonora do ano que termina.
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Legítima defesa da honra: ameaça resisteFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-29 03:16
Esse argumento jurídico usado por décadas para livrar de punição assassinos de mulheres ganhou perspectiva de sobrevida com uma decisão da Primeira Turma do STF publicada pouco antes do Natal. Por 3 votos a 2, os ministros descartaram a possibilidade de anulação, seguida de novo julgamento, de absolvições proferidas pelo Tribunal do Júri, mesmo quando na contramão das provas. Em outro recurso, a matéria ainda será analisada pelo plenário do Supremo. E o que for pacificado ali terá repercussão geral - ou seja, valerá para todas as pendências futuras a esse respeito. O advogado criminalista Luís Francisco Carvalho Filho, entrevistado por Renata Lo Prete neste episódio, lembra que, pelo novo entendimento, Doca Street jamais teria enfrentado um segundo julgamento e cumprido pena de prisão pelo assassinato, em 1976, de Ângela Diniz. No primeiro, mais célebre exemplo do uso da tese da legítima defesa da honra, na prática a condenada foi a vítima, morta a tiros. Por uma conjunção do noticiário, a decisão da Primeira Turma chegou ao conhecimento do público quase ao mesmo tempo da morte de Doca, aos 86 anos, e de mais um caso brutal de feminicídio: o da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, assassinada pelo ex-marido com 16 facadas diante das 3 filhas. Carvalho Filho alerta: conferir a jurados autorização ilimitada de clemência vai beneficiar, além de criminosos de gênero, policiais que atiram quando não deveriam, milicianos, matadores profissionais e mandantes poderosos.
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Revisitando Alboino na UTIFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-28 03:21
Neste final de ano, O Assunto resgata quatro de seus episódios mais marcantes, protagonizados por brasileiros que tiveram a vida duramente transformada pela pandemia. Da escassez de testes à sobrecarga dos hospitais, da falta de emprego ao luto sem despedida, suas histórias representam as grandes dificuldades do país no enfrentamento do novo coronavírus. Aqui você vai ouvi-los em dois momentos: o do relato original feito a Renata Lo Prete e agora. No terceiro capítulo da série, o personagem é Alboino Lucena, médico de 27 anos que se divide entre cinco UTIs de Covid no Ceará. No episódio que foi ao ar em 22 de junho, ele relatou, em tempo real, duas noites de plantão na terapia intensiva. “Teve dia em que fiz 15 entubações”, contou. “Algumas pessoas que estão na linha de frente não estão psicologicamente bem. Eu mesmo estou um pouco abalado e com medo”. Seis meses depois, Alboino constata com otimismo que o número de casos graves na região onde atua diminuiu, mas ressalva que a taxa de letalidade da doença, para quem precisa de UTI, segue alta. “Dos cinco pacientes que atendi naquela noite, fizemos de tudo, tudo, mas eles não resistiram”, relembra. E ainda resume que aprendeu em quase um ano de luta: “as grandes coisas estão nos pequenos detalhes. A principal arma contra o coronavírus é água e sabão”.
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Revisitando Vanda no Parque das TribosFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-24 03:16
Neste final de ano, O Assunto resgata quatro de seus episódios mais marcantes, protagonizados por brasileiros que tiveram a vida duramente transformada pela pandemia. Da escassez de testes à sobrecarga dos hospitais, da falta de emprego ao luto sem despedida, suas histórias representam as grandes dificuldades do país no enfrentamento do novo coronavírus. Aqui você vai ouvi-los em dois momentos: o do relato original feito a Renata Lo Prete e agora. No segundo capítulo da série, a entrevistada é a técnica de enfermagem Vanda Ortega Witoto, da etnia do mesmo nome, que vive no Parque das Tribos, em Manaus. O episódio com ela foi ao em 3 de junho e teve a participação mais do que especial de Ailton Krenak, escritor e líder indígena, fundador da Aliança dos Povos da Floresta. Já naquela altura, ele nos convidava a uma reflexão mais ampla sobre a pandemia: “a Terra está reagindo à predação que nós temos de alguma maneira colaborado para que aconteça”. Vanda, que coordena os cuidados com os doentes de Covid no parque, contava que ali o número de casos e óbitos superava em muito os registros oficiais e desabafava: “Não temos assistência do Estado. Até na morte nossa identidade é negada”. Seis meses depois, ela relata que a comunidade segue sem socorro oficial até mesmo para cestas básicas, desprovida de uma Unidade Básica de Saúde e às voltas com um drama acentuado pela pandemia: a ausência de trabalho. “Tem famílias inteiras desempregadas", diz.
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A prisão de Crivella e a crise política do RioFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-23 04:42
Na última semana de seu turbulento mandato, o prefeito do Rio foi parar na prisão, mas recorreu ao STJ e conseguiu prisão domiciliar com o uso de tornozeleira. Crivella foi preso por envolvimento com o chamado QG da propina, comandado pelo empresário Rafael Alves. A prisão do prefeito coloca o Rio sob comando do vereador Jorge Felippe, presidente da Câmara Municipal. E expõe um Rio de crise política, onde cinco ex-governadores foram presos desde 2016. Neste episódio, Julia Duailibi recebe Berenice Seara, colunista do jornal Extra no Rio. Berenice explica o que é o QG da propina, as acusações contra Crivella e como o prefeito sobreviveu a nove pedidos de impeachment, mas foi pego pelo Ministério Público. Ela relata também a estreita relação entre Crivella e Rafael Alves, fala de um Rio devastado por escândalos políticos e como tudo isso pode afetar a transição para a gestão da prefeitura de Eduardo Paes.
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Revisitando Thiago, que perdeu o pai para CovidFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-22 03:16
Neste final de ano, O Assunto resgata quatro de seus episódios mais marcantes, protagonizados por brasileiros que tiveram a vida duramente transformada pela pandemia. Da escassez de testes à sobrecarga dos hospitais, da falta de emprego ao luto sem despedida, suas histórias representam as grandes dificuldades do país no enfrentamento do novo coronavírus. Aqui você vai ouvi-los em dois momentos: o do relato original feito a Renata Lo Prete e agora. Quem abre a série é Thiago Ladislau, 33, pequeno comerciante de Paulista, na região metropolitana do Recife. No episódio que foi ao ar em 11 de maio, ele descreveu a via crucis em busca de atendimento para o pai, seu José, 74, que morreu na fila de espera por um leito de UTI. Não houve velório, e a lembrança de Thiago é a do pai “no caixão fechado, na gaveta escrito Covid-19". Decorridos sete meses, ele conta que "a gente vai continuando as nossas vidas, rindo mais, chorando menos, nas lembranças. E é isso, esperança e fé na ciência". E reflete: "Nosso maior desafio é não normalizar a doença”.
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Escolas fechadas, desastre socialFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-21 04:01
No Brasil, as aulas presenciais desapareceram na altura do registro da primeira morte no país pelo novo coronavírus e da declaração de pandemia pela OMS, nove longos meses atrás. Desde então, atividades menos essenciais e mais propensas à aglomeração foram retomadas, mas o ensino segue quase todo remoto - e apenas para quem pode. Quando deveria ser o contrário, diz Priscila Cruz, co-fundadora e presidente do movimento Todos pela Educação: “A escola tem que ser a última a fechar e a primeira a reabrir". Como acontece em muitos países do hemisfério Norte que, mesmo convivendo com medidas rigorosas para contenção da segunda onda, optaram por manter em sala de aula especialmente os alunos mais novos, menos equipados para aprender à distância. Em conversa com Renata Lo Prete, Priscila reconhece que carências básicas da nossa rede pública tornam mais difícil a reabertura com a pandemia ainda em curso, mas afirma que é preciso atacá-las com providências emergenciais e elegendo prioridades: “Garantir primeiro o retorno daqueles que mais precisam. Alunos em situação de vulnerabilidade, de fome, que não têm acessibilidade nem conectividade nenhuma”. Ela compara o estrago a consertar ao de um pós-guerra. No momento em que a rede paulista, de longe a maior do país, anuncia o retorno das aulas presenciais para fevereiro, convém ouvir o que a ciência diz sobre a transmissão do vírus por crianças e o contágio em ambiente escolar. Segundo o médico Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, também entrevistado neste episódio, as respostas são animadoras. Crianças não só adoecem como contaminam pouco. E na escola o contágio não é maior do que em outros lugares. “É injusto colocar na conta da atividade escolar um peso que ela não tem".
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Covid em crianças: alta nas internaçõesFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-18 04:50
A grande maioria das crianças é assintomática ou desenvolve quadros leves da Covid-19. Algumas poucas precisam de hospitalização e, no geral, mesmo essas se recuperam de forma rápida. De março a outubro, mais de 6.300 pacientes com menos de 10 anos foram hospitalizados no Brasil apresentando quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave decorrente do novo coronavírus. O dado, de levantamento inédito da consultoria em saúde Vital Strategies, representa menos de 1% do total de internações da pandemia, mas desperta um alerta por revelar uma curva ascendente. Uma dessas crianças é Rodrigo, que completa 7 anos neste sábado. "Menino raiz, joga bola, nada, anda de bicicleta, brinca na rua. Não tinha ideia do que era uma internação", descreve o pai, Rodrigo Bernardes, em entrevista a Renata Lo Prete. Rodrigo pai tinha acabado de atravessar mais de dez dias de UTI com Covid quando o menino começou a apresentar sintomas como cansaço, pescoço rígido e fortes dores abdominais. De início, ninguém associou à doença. O quadro piorou bastante até vir o diagnóstico da rara Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que ataca uma pequena parcela de crianças que tiveram Covid, muitas vezes de forma completamente assintomática. “A palavra é troca de valores”, diz o pai sobre sobre ver o filho na UTI tão pouco tempo depois de estar na mesma situação. “Não sei de onde tirei força. Se fosse necessário dar a minha vida pela dele, sem dúvida eu teria dado". Participa também do episódio a médica Daniela Carla de Souza, que trabalha nas UTIs pediátricas do Sírio Libanês e do Hospital Universitário da USP. Ela indica em que as famílias precisam prestar atenção e qual é a senha para procurar um médico. "Febre acima de 38 graus, que não cede com antitérmicos, e criança prostrada".
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Contagem regressiva para o fim do auxílioFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-17 04:42
Criado em abril para socorrer os brasileiros das limitações de circulação e da escassez de trabalho na pandemia, o pagamento emergencial - primeiro de R$ 600, e a partir de setembro de R$ 300 - beneficiou diretamente 68 milhões de pessoas, amortecendo a queda livre da atividade. Para dimensionar o impacto do programa que deixa de existir no próximo 31 de dezembro, o economista Pedro Fernando Nery, um dos convidados deste episódio, faz a seguinte comparação: “o auxílio emergencial transferiu, em nove meses, o mesmo volume de recursos que o Bolsa Família transferiu em dez anos”. Ele teme que o fim dos pagamentos, num contexto econômico ainda muito deprimido e com desemprego elevado, reverta automaticamente a redução de quase 24% da pobreza que o auxílio conseguiu. E, mesmo reconhecendo as restrições fiscais, defende algum tipo de “pouso suave” que prorrogue o benefício, ainda que em valor menor. Participa também o jornalista Valdo Cruz, que relembra como o auxílio nasceu e ganhou sobrevida e as idas e vindas do governo na malsucedida tentativa de criar um novo programa social permanente. Que primeiro ia se chamar Renda Brasil, depois Renda Cidadã e no final, diz Valdo, “vamos entrar em 2021 sem renda nenhuma".
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As encrencas dos filhos de BolsonaroFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-16 05:10
01, 02, 03, 04. Respectivamente, Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan. Todos protagonizaram histórias nebulosas no entorno do governo do pai. A mais explosiva até aqui é a da rachadinha, que tem no centro 01 e acaba de ganhar novo capítulo com a revelação de relatórios que a Agência Brasileira de Inteligência teria produzido para municiar a defesa do senador. Guilherme Amado, jornalista da revista Época que noticiou em primeira mão tanto os relatórios quanto, meses antes, uma reunião no Palácio do Planalto da qual participaram o próprio presidente, o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), o delegado Alexandre Ramagem (Abin) e duas advogadas de Flávio, é um dos convidados deste episódio. Diante dos esclarecimentos pedidos pela ministra do Supremo Carmen Lúcia e pelo procurador-geral da República, Amado diz: “Tem uma pessoa que resolve todas as dúvidas se falar. Chama-se Flávio Bolsonaro. É só ele dizer de quem recebeu [os relatórios]". 01 ainda não disse nada. Participa também Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional. Ele tipifica condutas que podem ser associadas ao caso, a depender do que concluir a investigação. De improbidade administrativa e prevaricação até crime de responsabilidade, caso fique caracterizado envolvimento de Bolsonaro em uso de órgãos de Estado em benefício do filho. “É algo que ameaça muito mais do que a luta contra a corrupção. Ameaça o Estado democrático de direito."
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Vacina: como salvar o plano brasileiroFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-15 05:04
Os EUA começaram a imunizar sua população contra o novo coronavírus nesta segunda-feira, mesmo dia em que o país ultrapassou a marca de 300 mil óbitos. No Brasil, segundo no ranking de óbitos na pandemia, o Ministério da Saúde finalmente entregou um plano ao Supremo - ainda repleto de incógnitas. Em entrevista a Renata Lo Prete neste episódio, Gonzalo Vecina, fundador da Anvisa, ex-secretário nacional de Vigilância Sanitária e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, critica o escopo limitado da proposta, a aposta num único imunizante e o “genocídio" que se desenha com a exclusão de presidiários do grupo prioritário para receber as doses. Para Vecina, os militares que ocuparam o Ministério da Saúde podem entender de logística armada, mas de logística de vacina não entendem nada e deveriam ter a humildade de chamar de volta os técnicos que foram escanteados no governo Bolsonaro. Participa também Cristiana Toscano, infectologista e epidemiologista que integra o Grupo de Trabalhos em Vacinas para a Covid-19 da OMS. Ela explica por que poucos países terão vacinação em massa no curto ou médio prazo e analisa os critérios para priorizar grupos e reduzir os impactos da doença. Cristiana considera “bem razoável" o prazo de dez dias que agora a Anvisa estipula para analisar pedidos de registro.