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Covid à solta nas baladas da pandemiaFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-14 04:13
Alheias ao avanço do contágio em boa parte do país, muitas pessoas - sobretudo jovens - estão desafiando as limitações impostas ao funcionamento de bares e outros estabelecimentos, além de se aglomerar em festas clandestinas. “Mano, tá rolando normal” e “eu não consigo ficar em casa” foram algumas das impressões que O Assunto ouviu conversando com frequentadores da noite na região central de São Paulo. Já a repórter Isabela Leite, da GloboNews, conta a Renata Lo Prete como as festas são organizadas, nos bairros ricos e nas periferias das grandes cidades, abaixo do radar da fiscalização e com grande facilidade. São eventos que chegam a reunir mil pessoas, amontoadas e sem máscara. Cientes do quanto as festas do verão no hemisfério norte contribuíram para o agravamento do quadro na Europa e nos Estados Unidos, especialistas se preocupam particularmente com o risco representado por comemorações de Ano Novo. Participa também do episódio o estatístico e doutor em psicologia Altay de Souza, pesquisador da Unifesp e apresentador do podcast de divulgação científica Naruhodo. Ele diz que a questão do autocontrole (ou falta de) ajuda a explicar o comportamento de quem coloca a si e ao próximo em perigo. “Os jovens são menos aptos a pensar no futuro longínquo do que no prazer imediato”, afirma. “Para eles, é mais difícil associar ação com resultado”. Ele analisa o estímulo das redes sociais e sugere práticas, individuais e coletivas, que podem ajudar na conscientização.
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Vacina no Reino Unido: lições a aprenderFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-11 05:05
Enquanto o Ministério da Saúde demora em fazer o necessário e confunde o público com informações desencontradas, longe daqui alguns brasileiros já receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19. É o caso de Kerlane Jackman, de 41 anos, que vive há oito no Reino Unido e conquistou lugar na fase inicial de imunização por trabalhar como cuidadora de idosos num asilo do sistema público de saúde, o NHS. “Foi um alívio inexplicável”, diz. Na entrevista a Renata Lo Prete, Kerlane conta como se inspirou na mãe, agente de saúde em Manaus, ao escolher a profissão. Relata os anos de estudo até ser admitida no NHS - que nos anos 80 serviu de modelo para a criação do nossos SUS. E as dificuldades para atender a faixa etária mais vulnerável ao novo coronavírus. “Nessa hora, é só o amor mesmo. A gente faz pelo amor de ajudar as pessoas”. Participa também do episódio Rodrigo Carvalho, correspondente da Globo em Londres. Rodrigo explica como o governo britânico conseguiu aprovar a vacina Pfizer-BioNTech e iniciar sua aplicação em menos de uma semana - inaugurando a imunização em países do Ocidente. Fala do papel estratégico da comunicação governamental permanente e uniformizada das informações sobre a pandemia. E destaca também o que as autoridades têm evitado por lá: divulgar cronogramas de vacinação impossíveis de cumprir.
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A queda do ministro do laranjalFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-10 04:05
Marcelo Álvaro Antônio carrega há mais de ano uma denúncia do Ministério Público pelo protagonismo no esquema de candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais. Ainda assim, o presidente da República não viu problema em mantê-lo à frente da pasta do Turismo, até que vieram a público, nesta quarta-feira, desabafos dele contra o colega Luiz Eduardo Ramos, coordenador político do governo, num grupo de WhatsApp do primeiro escalão federal. Marcelo qualificou o general da reserva de “traíra”, e o acusou de pagar um preço “nunca antes visto na história” em troca de apoio no Congresso. Essa demissão “pode parecer uma defesa de Ramos”, diz a comentarista da GloboNews Natuza Nery em conversa com Renata Lo Prete. “Mas é a defesa do próprio governo à exposição das vísceras do governo”. Neste episódio, as duas explicam a relação entre a mudança no Turismo e o objetivo maior de Jair Bolsonaro daqui até o início de fevereiro: emplacar o deputado Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara. Nesse contexto, a substituição do demitido por Gilson Machado, atual presidente da Embratur, pode ter prazo de validade. Esse e outros cargos estão na roda para uma eventual reforma ministerial, antes ou logo depois da eleição das Mesas do Congresso.
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O Rio das crianças mortas a balaFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-09 05:25
Anna Carolina, João Vitor, Luiz Antônio, João Pedro, Douglas Enzo, Kauã Vitor, Rayane, Ítalo Augusto, Maria Alice, Leônidas Augusto. A eles se juntaram, no fim de semana passado, Emilly Victoria e Rebecca Beatriz. Crianças entre 4 e 14 anos, todas negras, que perderam a vida este ano no Estado do Rio de Janeiro. “Balas perdidas que encontram sempre os mesmos corpos”, escreveu a jornalista Flávia Oliveira, da GloboNews e da CBN, uma das entrevistadas deste episódio. Ela resgata histórias de famílias devastadas pela perda de suas crianças - e aponta o racismo como um elemento constitutivo dessa tragédia. O outro é a falta de consequência - dos 12 casos ocorridos desde o início do ano, em apenas um se chegou à autoria do crime. Participa também o sociólogo Daniel Hirata, professor da Universidade Federal Fluminense e pesquisador do Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos. Ele explica por que as operações policiais nas comunidades - em tese suspensas durante a pandemia, por decisão do Supremo - estão no centro do problema. E lança um alerta: “A violência que vem dos grupos armados não pode espelhar a atuação das polícias”.
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Maia e Alcolumbre: como fica a sucessãoFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-08 05:38
Depois de três dias de votação via plenário eletrônico, o STF surpreendeu boa parte dos analistas e vetou a possibilidade de recondução dos atuais presidentes da Câmara e do Senado. A maioria do tribunal divergiu do relator da matéria, ministro Gilmar Mendes. E agora? Para entender o significado da decisão do tribunal e explorar suas consequências, Renata Lo Prete recebe neste episódio a jornalista Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor Econômico. Ela começa por explicar o desconforto de vários ministros com a interpretação heterodoxa que se pretendia dar ao artigo 57. “Pode valer tudo contra o presidente Jair Bolsonaro, menos afrontar a Constituição de forma tão aberta”, diz. E sugere que pesou também a repercussão negativa que a perspectiva da manobra gerou. Maria Cristina avalia que, com os atuais titulares fora do jogo, a sucessão nas duas Casas do Congresso “embaralhou bastante” e será jogada até o último instante (a eleição, interna, é no início de fevereiro). Ainda assim, ela examina os principais nomes colocados. “O governo precisa fazer o presidente, principalmente na Câmara”, afirma. Dois motivos principais: as pautas econômicas pós-pandemia e os mais de 50 pedidos de impeachment que dormem nos escaninhos da Casa.
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Epidemia eterna na terra yanomamiFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-07 06:13
Em três meses, o números de casos de Covid-19 deu um salto de 250% na maior reserva indígena do Brasil, que se estende pelos Estados do Amazonas e de Roraima, onde vivem cerca de 27 mil índios das etnia Yanomami e Ye'kwana. Lá o novo coronavírus, combinado à ressurgência da malária, deixa um rastro de mortes bem conhecido do povo, que ao longo de décadas foi dizimado por gripe, sarampo e outras doenças trazidas pelo homem branco. Em especial pelos garimpeiros -na estimativa dos yanomamis, eles são hoje cerca de 20 mil, praticando atividade ilegal no território e contaminando sua população com o novo coronavírus. “O garimpo pra gente é uma doença, que mata a pessoa, que mata o ambiente, que mata os rios”, diz em entrevista a Renata Lo Prete Dario Kopenawa, filho de Davi e vice-presidente da Associação Hutukara, que representa os yanomamis. Dario estabelece a relação entre os períodos de avanço do garimpo e a sucessão de epidemias que foram ceifando a etnia. Ele também explica o trabalho dos xamãs, dos “médicos da floresta”, e do autocuidado para compensar a progressiva omissão do poder público. E relata em detalhes o encontro que teve em julho com o vice-presidente Hamilton Mourão para formalmente dar ciência dos crimes que estão ocorrendo na reserva. Desde então, nada aconteceu para interromper esse processo. Dario fala ainda da destruição da Amazônia: “Se vocês não pararem de desmatar, a Terra vai ser muito brava com vocês”.
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ESPECIAL ELEIÇÕES: Efeitos das novas regras nas urnasFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-05 03:32
Nestas eleições municipais começou a valer a proibição de coligações em cargos proporcionais – neste ano, vereadores. O efeito já foi sentido em 2020, com a redução no número de partidos que elegeram vereadores, especialmente em cidades menores. Mas agora o próximo ponto a observar é 2022, ano em que a nova regra será aplicada à escolha de deputados federais e estaduais. E quando partidos terão uma cláusula de desempenho mais rigorosa a cumprir. Quais siglas estão ameaçadas de extinção? Estamos prestes a ver uma temporada de fusão de partidos? Na Câmara dos Deputados, já há um movimento para derrubar a regra. Qual a chance de este movimento prosperar e o que significaria se isso acontecesse? No décimo episódio da série de O Assunto sobre as eleições municipais de 2020, Renata Lo Prete recebe Silvana Krause e Jairo Nicolau para discutir estas e outras questões. Silvana é professora do programa de pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Jairo é pesquisador do CPDOC da FGV e especialista em sistemas eleitorais. Juntos, eles analisam os resultados das mudanças. Silvana fala sobre como há um movimento para tentar reverter as regras e como políticos "vão se adaptar e criar alternativas, como a migração". Jairo analisa como o PSD se tornou o grande polo de atração de deputados, e como as siglas se mexem para diminuir a fragmentação: "ter mais partidos significa dividir o pouco tempo de televisão, o fundo eleitoral e o fundo partidário". Este é o último dos dez episódios da série, todos lançados aos sábados.
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Rio de novo em colapso pela CovidFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-04 04:36
Falta de leitos e UTIs lotadas: a realidade da pandemia se agrava no Estado, e os números mostram alta na média móvel de novos casos. Depois de um breve respiro, com alívio em setembro e outubro, a segunda onda deixa mais de 80% dos leitos de UTIs ocupados; na capital, a taxa já supera os 91% na rede SUS, e está em quase 100% na particular. E o Comitê Científico da prefeitura da capital recomenda: as medidas de isolamento social devem ser endurecidas. Para tratar da situação, neste episódio Renata Lo Prete conversa com a neurologista Carolina Lucas, médica que atende em 4 hospitais no Rio e na região metropolitana, e com Victor Ferreira, repórter da TV Globo. Victor faz a cronologia que relaciona o abandono das regras de distanciamento com o aumento no número de casos, contextualiza a crise diante dos escândalos políticos no Estado e projeta que, nos próximos dias, as autoridades decidirão por um “recrudescimento das medidas”. Carolina faz um duro relato do dia a dia dentro das emergências, onde as UTIs nunca ficam vazias. Ela alerta que "o vírus não escolhe quem vai deixar em estado grave. Qualquer pessoa que contrai a doença pode ficar grave a qualquer momento” e relata como agora há "muito paciente jovem que procura atendimento" com sintomas mais complexos.
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Luz mais cara agora e o que esperar em 2021From 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-03 04:42
O primeiro sinal de que algo não ia bem veio em outubro, quando o governo acionou termoelétricas e autorizou a importação de energia para poupar as hidrelétricas. Principal fonte de nosso sistema, os reservatórios estão com níveis baixíssimos, por causa da falta de chuva. Para tentar poupar as represas, a Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou a tarifa vermelha, a mais cara de todas, que eleva a conta de consumidores residenciais e industriais. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe o repórter Bruno Fávaro, da afiliada TV Globo em Curitiba, e Fernando Camargo, economista e especialista em infraestrutura com foco no setor de energia, saneamento e logística. "Faltou água na torneira, a torneira perdeu a função", relata Fávaro, sobre o problema que começou a ser sentido na capital paranaense ainda no fim de 2019. Camargo explica por que, apesar do aumento da demanda, a alta no consumo não justifica tarifas mais elevadas: "no agregado do país como um todo, o consumo de energia está abaixo que o do ano passado. Espera-se que 2020 feche entre 1% e 1,5% abaixo de 2019". E fala ainda sobre como uma possível retomada da economia em 2021 pode agravar ainda mais a situação do setor de energia.
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Quando você será vacinado contra a Covid?From 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-03 02:15
Para termos a resposta há dois passos essenciais: uma vacina eficaz e um plano de vacinação. Por aqui 4 imunizantes estão na fase 3 de testes, o Ministério da Saúde diz que só terá um plano completo quando a Anvisa liberar a vacina. Até agora, o que o governo apresentou é um esboço indicando metas e grupos prioritários, mas sem datas definidas. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe o repórter Fabiano Andrade, da Globo em Brasília, e Carla Domingues, epidemiologista que comandou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019. Carla detalha como a estrutura do PNI favoreceria a aplicação do imunizante logo após sua aprovação: "rapidamente entre 15 e 30 dias você já pode começar a fazer uma campanha de vacinação". Fabiano relata como o governo "deu perdido" após o Tribunal de Contas da União cobrar um plano completo para imunizar a população contra a Covid-19. E fala ainda das pistas dadas pelo Ministério da Saúde sobre qual vacina está na mira do governo para ser aplicada nos brasileiros.
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Pós-eleição, crise econômica e os rumos para 2022From 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-12-01 05:26
Definido o tabuleiro político depois do pleito municipal, agora partidos e políticos com pretensões na disputa presidencial têm pela frente dois enormes problemas. A pandemia e a reconstrução de uma economia em frangalhos. Neste episódio, Renata Lo Prete entrevista Fernando Schuler, cientista político e professor do Insper. Para ele, a partir de agora a economia é "o grande eleitor". Schuler analisa a situação do presidente Jair Bolsonaro com o fim do auxílio emergencial no horizonte, fala da consolidação das vitórias de partidos de centro-direita e como as urnas mostraram "um cansaço da polarização".
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O saldo do 2º turno e os recados das urnasFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-11-30 07:28
Resultados rápidos, reeleições e poucas viradas... Na maioria das cidades em que os eleitores voltaram às urnas, vitórias de partidos do centro foram reforçadas. Enquanto isso, o bolsonarismo e o PT encolheram. Quem ganhou e quem perdeu neste domingo? O que os resultados mandam de recado para o presidente Jair Bolsonaro? E o que a nova conjuntura política já indica para 2022? Com Renata Lo Prete neste episódio, três jornalistas da Globo que cobriram intensamente o domingo de votação e apuração: Nilson Klava, Valdo Cruz e Julia Duailibi. Nilson detalha as taxas de abstenção, Valdo responde como a pandemia pautou este segundo turno e Julia aponta como lideranças de olho na disputa presidencial saem desta eleição municipal.
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ESPECIAL ELEIÇÕES: Covid marca reta finalFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-11-28 03:45
Campanha mais curta, chances de virada, padrinhos políticos de olho na campanha de 2022... Além desses fatores, a disputa do segundo turno foi marcada pelo agravamento da pandemia em muitas capitais. Na maior delas, Guilherme Boulos foi diagnosticado com Covid-19 na antevéspera da eleição, tirando o adversário de Bruno Covas das ruas e do debate nesta reta final. Como tudo isso deve influenciar os resultados? Devemos esperar mais ou menos abstenção neste domingo? No nono episódio da série de O Assunto sobre as eleições municipais de 2020, Renata Lo Prete debate essas e outras questões com o jornalista Fabio Zambeli, analista-chefe do Jota, e o cientista político Jairo Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos em Política e Economia do Setor Público, da FGV. Zambelli fala como a pandemia se tornou mais presente: “os números que atestam essa possível segunda onda e o possível adiamento de medidas para o funcionamento do comércio de uma forma geral vieram a tona e estão muito presentes”. Jairo aponta capitais onde há claras chances de virada, algo raro entre um turno e outro. Para ele, o cenário é possível em Manaus, Maceió e Recife. A série tem dez episódios, lançados sempre aos sábados.
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Por que é tão difícil sair da pobreza no BrasilFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-11-27 05:29
Qual é a chance de uma pessoa nascida em família pobre conseguir ter o rendimento médio do brasileiro? Quanto tempo isso demora? A resposta: nove gerações. "Demoraria mais ou menos 160 anos", diz Paulo Tafner, economista e pesquisador associado da USP, convidado de Renata Lo Prete neste episódio. Diretor-presidente do recém-lançado Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social, Tafner detalha o círculo vicioso que mantém brasileiros em situação de pobreza e pobreza extrema nas mesmas condições de seus antepassados. No Brasil, "a história do indivíduo está determinada na barriga da mãe", explica o economista. Tafner detalha ainda quais são as barreiras para que haja mobilidade de classe e compara a situação brasileira com a de outros países.
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Maradona, o mais humano dos deusesFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-11-26 07:36
O futebol perdeu na quarta-feira, 25 de novembro, um dos mais geniais jogadores da história: Diego Armando Maradona, aos 60 anos. O argentino que provocou devoção nos gramados e controvérsias fora de campo, tudo sempre movido a muita paixão. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe dois convidados que dão a dimensão da perda: Martín Fernandez e Ariel Palácios. Martín, jornalista esportivo do Grupo Globo, detalha como Maradona se encaixa no panteão do esporte: "Enquanto o Maradona jogou, ninguém jogou mais do que ele, numa era que tinha Zico, Platini e Rummenigge". Fala também da personalidade do craque: "sempre foi difícil de entender, tanto quanto o jogador foi difícil de marcar". Já Ariel Palácios, correspondente em Buenos Aires, descreve as várias facetas de Diego "um complexo quebra-cabeças que gera nos argentinos as mais variadas reações" e relata a relação turbulenta de amor do país com o craque.
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O que o encalhe dos testes de Covid revelaFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-11-25 05:18
Em junho, o Ministério da Saúde anunciou uma testagem em massa cuja meta era aplicar 24,5 milhões de exames. Novembro chegou e o resultado é totalmente diferente: até agora foram feitos 5 milhões pelo SUS. E outros 7 milhões estão parados em um galpão, mas correm o risco de vencer, enquanto governo federal, Estados e municípios empurram de um para outro a responsabilidade por distribuí-los. O que deu errado na estratégia de testagem – uma das ações consideradas essenciais para mapear e tentar frear a pandemia? Neste episódio, Renata Lo Prete ouve dois convidados: Carolina Moreno, jornalista de dados da TV Globo que desde a chegada do coronavírus no Brasil acompanha as medidas das autoridades e os números da doença; e Márcio Bittencourt, mestre em Saúde Pública e pesquisador do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP. Carolina explica onde estão os gargalos e conta como, sem poder fazer teste, um trabalhador de São Paulo que mora com uma pessoa contaminada não consegue ser dispensado e corre o risco de espalhar o vírus. Márcio fala da importância da testagem em larga escala: "É o diagnóstico coletivo. Em uma pandemia, quem está doente é a sociedade". E responde se ainda dá tempo de contornar a situação ou se já é tarde demais.
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Polícia privada e o mercado de segurançaFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-11-24 05:13
João Alberto Silveira Freitas foi morto por dois seguranças privados de uma empresa terceirizada que atende a uma loja do Carrefour, em Porto Alegre. Uma história terrível, mas não inédita. São muitos os casos de violência por agentes privados de segurança, a serviço de grandes corporações de áreas como mercados e bancos, sobretudo contra cidadãos negros. O que se repete também é a lógica de poucas e brandas punições aos agressores. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Sheila de Carvalho, advogada da Uneafro Brasil, coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP e fellow do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, e André Zanetic, cientista político especialista em dados e estatística do programa Fazendo Justiça. André explica a gênese da indústria da segurança privada na ditadura militar, detalha os limites da atuação de policiais no setor e informa os números do mercado de segurança clandestina no Brasil. Sheila analisa a relação entre a violência dos agentes e a raça das vítimas e o impacto destes eventos na imagem e no lucro das empresas. Ela indica o que pode ser feito para que casos como este não se repitam, mas sentencia: "quanto tempo vai levar para termos um próximo Beto, provavelmente, não muito."
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Distanciamento: ainda o que mais salvaFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-11-23 03:57
Os sinais de que o contágio pelo novo coronavírus voltou a aumentar no Brasil estão por toda parte. Um dos mais evidentes é a crescente reocupação de leitos de UTI em capitais de diversas regiões do país. No momento em que o quadro se agrava e muitos se comportam como se a pandemia tivesse acabado, é urgente lembrar das práticas essenciais de proteção contra o vírus, as únicas disponíveis enquanto a vacina não chega. Por isso, neste episódio Renata Lo Prete conversa com o médico brasileiro Ricardo Parolin, doutorando na Universidade de Oxford e participante do Grupo de Resposta do Imperial College de Londres. De restaurantes a academias, de escolas ao transporte coletivo, ele avalia o grau de exposição em diversos ambientes e conclui: “nossa proteção se baseia em um conjunto de medidas”. Mas elas têm gradação de importância: “A principal é o distanciamento social”, diz. A máscara deve ser associada a ele, “como oportunidade de reduzir ainda mais o risco". Parolin explica por que o distanciamento vem antes de tudo e ensina como fazê-lo de maneira correta no trabalho e nos deslocamentos necessários.
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ESPECIAL ELEIÇÕES: centro, centrão ou direita?From 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-11-21 03:33
A qualificação varia ao gosto do freguês. O fato é que partidos desse campo foram os grandes vencedores do primeiro turno - começando pelas sete capitais em que a disputa se definiu já no último domingo. E podem ampliar o placar no segundo, tanto em número de prefeituras quanto em população governada, já que têm finalistas nas duas maiores cidades do país. Qual é o significado do crescimento de siglas como DEM, Progressistas (antigo PP), PSD e Republicanos, que, com graus variados de adesão, sustentam o governo Bolsonaro no Congresso? Elas terão projeto próprio em 2022 ou tendem a acompanhar o presidente na tentativa de reeleição? No oitavo episódio da série de O Assunto sobre as eleições municipais de 2020, Renata Lo Prete debate essas e outras questões com Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo, e o cientista político Christiano Noronha, vice-presidente e sócio da consultoria Arko. A série tem dez episódios, lançados sempre aos sábados.
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O reconhecimento da negritude no BrasilFrom 🇧🇷 O Assunto, published at 2020-11-20 04:00
Mais da metade da população é negra: 57% dos brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos. Proporção impulsionada pelos 12 milhões de pessoas que, nos últimos 8 anos, mudaram a forma como se identificam do ponto de vista racial. Trata-se de um fenômeno demográfico e sociológico que acompanha o aumento do acesso da população negra à educação formal e à representação política. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Matheus Gato, professor de sociologia na Unicamp, integrante do Núcleo Afro do Centro Brasileiro de Pesquisa e Planejamento (Cebrap) e autor do livro “O Massacre dos Libertos – sobre raça e república no Brasil”. Ele analisa as motivações para que cada vez mais pessoas se autodeclarem negras. Matheus relaciona o espaço do negro na sociedade brasileira com o episódio da história brasileira que é tema de seu livro - em 1889, centenas de moradores negros de São Luís, no Maranhão, protestaram contra a possibilidade de a recém-proclamada república revogar a abolição da escravatura, assinada um ano antes - e afirma que este movimento é uma forma de buscar “imagens e possibilidades de referencial para as pessoas negras possam se ver e se sentir protagonistas de suas próprias histórias”.